Lançar modelo 2012 no primeiro semestre de 2011 pode, Arnaldo?

Certa vez, vi uma propaganda da Nissan na tv avisando que a concorrência iria ficar ainda mais chateada com eles, pois estavam lançando a linha 2012 em Abril. De 2011. (tá, certa vez foi hoje…)

Alguém tem alguma explicação plausível para, ultimamente, vivermos dirigindo carros do futuro? Desse jeito, logo após o Show da Virada de 2015 aparecerá uma propaganda avisando que a linha 2017 já está à venda numa concessionária perto de você.

Bom, lembrando um pouco história do design, mais ou menos após a recessão os Estados Unidos precisavam, de alguma maneira, recuperar a sua indústria e o seu comércio. A II Guerra Mundial deu uma mãozinha quanto à isso. Em meados dos anos 50 o american way of life os conquistou como um viral da Rebecca Black nos dias de hoje. Todos os americanos “precisavam” ter um Cadillac “rabo-de-peixe”, enquanto todas as americanas morriam por um novo aspirador, uma nova geladeira. (Ainda era a época das famosas donas-de-casa das propagandas de revista, com seus dentes brancos, olhos azuis e pestinhas bem arrumados esperando o jantar). Todo esse fuzuê foi por uma coisinha que resolveram levar para o design industrial: o tal do face lift.

Os americanos estavam enchendo o deles de dinheiro, com a economia cada vez mais acelerada; mas a indústria, como a de automóveis, sofria do mal do produto bom demais. Sabe aquela história que a sua mãe sempre lhe disse e que os comerciais insistem em enfiar sua cabeça? “Mas essa não é, assim, uma Brastemp.” Pois bem. Os carros eram Brastemps. Isso significava que eram bons e duráveis. Uma pessoa, em seu estado normal, não pensaria em comprar um carro novo, se o seu ainda estivesse em bom estado de conservação. Foi ai que algum gênio (para a indústria, não para o consumidor e muito menos para o bolso dele) resolveu levar a ideia do face lift para a indústria.

Se os chamados bens duráveis duravam muito tempo (né?!), a maneira mais eficaz de fazer o consumidor comprar um novo produto era “maquiá-lo”. Se mudassem o desenho da lanterna e do farol, colocassem uma nova padronagem de tecido nos bancos e fizessem um novo desenho nas rodas, eles perceberam que poderiam vender aquele mesmo carro como um novo modelo, e assim atiçariam aquele consumidor que sempre quer ter o “carro do ano” na garagem. A economia acelerada, a gasolina quase de graça (bons tempos…) e a paixão americana por carros fizeram a ideia dar mais do que certo. Tanto que foi levada para vários outros tipos de produtos. E que faz sucesso até hoje. Inclusive aqui, onde o estilo de vida deles foi importado.

E é por isso que você compra um carro “novo” e acha que fez um excelente negócio. De fato, ele é zero quilômetro. Muitas vezes é um bom produto. Mas o seu projeto, se brincar, é o mesmo desde o início dos anos 90.

 

A Brastemp não patrocinou este post. Mas até que seria uma boa ideia. hêhê.

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